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    quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

    Jailbreak: relato pessoal do procedimento

    Há algum tempo participo de discussões em fóruns especializados sobre produtos da Apple, e um dos assuntos que volta e meia aparecem diz respeito ao "jailbreak". Para quem não está familiarizado com o tema, "jailbreak" nada mais é do que desbloquear seu aparelho (iPod touch, iPhone ou iPad) para que o mesmo possa receber personalizações, instalar aplicativos não autorizados pela Apple, ou ainda habilitar funções que, de fábrica, vêm bloqueadas - como por exemplo, a limitação de funcionamento do FaceTime apenas com wifi, para ser usada com conexão 3G.

    Depois de tanto discutir sobre se a prática é válida ou não, resolvi encarar o processo, e usei meu iPhone 4S para isso, aproveitando que o jailbreak para a última versão do sistema operacional da Apple (o iOS 5.0.1) estava disponível. Registrei nos últimos sete dias como foi a experiência, para apresentar minha conclusão. Sempre fui contra a prática, será que isso me faria mudar de idéia?


    Dia 1: Baixo o programa para o Jailbreak do iPhone 4S. O processo não leva mais do que 30 minutos, e é extremamente simples de ser realizado. A tela inicial muda, incluindo um ícone para o Cydia, a "app store" dos telefones com jailbreak. Uma rápida navegação mostra que a loja é cheia de extensões e temas para personalização do iPhone. Começo instalando duas extensões gratuitas, o SBSettings (para incluir atalhos de preferências na Central de Notificações), e o BackgroundKillz (para fechar todos os aplicativos em segundo plano de uma só vez). Noto algumas instabilidades - ícones que estavam ocultados, como o do iTunes, voltam a aparecer. Um respring (processo de reiniciar de forma rápida o telefone) e o problema se resolve.

    Dia 2: Continuo brincando com a Cydia Store, testando alguns programas gratuitos ou em versão de teste. Realmente muitos aplicativos são interessantes, principalmente no que diz respeito à personalização. O telefone volta a apresentar problemas com ícones ocultos aparecendo. Resolvo com um rápido respring. Descubro que é possível baixar qualquer aplicativo da Apple de graça dependendo do repositório que se inclui no Cydia. Não me arrisco: o próprio administrador não recomenda esses repositórios. Noto que alguns ícones "somem", ficando totalmente brancos (Vídeos e Contatos). Respring para voltar a aparecer.

    Dia 3: Resolvo arriscar alguns apps pagos da Cydia Store. A compra é feita por PayPal, vinculado a uma conta do Facebook. Adquiro o Springtomize e o CallBar para acrescentar mais funções ao telefone. Com o primeiro, mudo a animação de travamento da imagem, bem como o posicionamento dos ícones no dock inferior. O CallBar é bem mais interessante: mostra as ligações como uma notificação, sem interromper o que você estiver fazendo no telefone. Bem versátil. As extensões pagas são meio caras se comparadas com os aplicativos da App Store oficial (média de 2,99 dólares contra 0,99 dólares), mas realmente são bem úteis. Noto que não consigo atualizar um aplicativo - uma mensagem de erro aparece constantemente. Contacto o desenvolvedor via email (Akobyx), e sou informado que está tudo normal. Reinstalo o aplicativo. Volto a ter problemas de atualização com outros dois apps.

    Dia 4: O telefone amanhece travado. Preciso fazer um soft reset para que ele volte ao normal. Tudo funcionando, inclusive as extensões. Noto que o Instagram parou de funcionar. Reinstalo o aplicativo, e tudo volta ao normal. Passo a frequentar alguns fóruns de jailbreak, e me chama a atenção a questão dos temas, ou seja, itens de personalização que permitem alterar todo o sistema operacional do telefone. Resolvo testar, baixando o Dreamboard, um aplicativo gratuito. Ele já traz consigo um tema que deixa o iPhone com a cara dos telefones com Android 2.2. Baixo ainda um tema que simula o Galaxy S2.

    Dia 5: Resolvo continuar explorando as possibilidades do Dreamboard, e encontro temas que simulam o Windows 8 Metro e o Windows Mobile 7.5. O primeiro não permite muitas personalizações, mas o segundo realmente traz uma nova experiência ao iPhone. Passo a usar o segundo tema 24 horas, para ver como o telefone se comportará daqui pra frente. Percebo que minha bateria está durando um pouco menos, talvez por conta das animações de travamento de tela.

    Dia 6: O telefone amanhece travado de novo. Preciso mais uma vez fazer um reboot para que ele volte ao normal. Começo a personalizar o tema do telefone. Incluir mais botões é realmente bem simples, e alguns deles são interativos, o que dão um charme a mais quando utilizado - o Twitter passa a exibir as mensagens mais recentes, o Facebook cria um slideshow das suas fotos, e a agenda mostra em tempo real todos os seus compromissos, tudo isso na tela inicial, sem precisar entrar nos aplicativos. Percebo algumas instabilidades: Infinity Blade II, Jetpack Joyride e Instagram param de funcionar. Reinstalo os três aplicativos. A tela bloqueada apresenta alguns problemas de travamento. 

    Dia 7: Resolvo desabilitar o tema depois de o telefone amanhecer travado pela terceira vez. Mesmo voltando ao iOS, ainda tenho problemas com aplicativos deixando de funcionar e ícones ocultos voltando a aparecer. Outros ícones voltam a aparecer em branco. Respring mais uma vez para fazer os ícones voltarem ao normal, e mais uma série de reinstalações para que os aplicativos voltem a funcionar (dessa vez foram o Action Movie FX, o Instagram - mais uma vez -, e o Soundhound). Tento reabilitar o tema do Windows, mas ele não funciona, e trava o telefone, forçando mais um reboot. Decido que está na hora de restaurar o iPhone para as configurações de fábrica.

    CONCLUSÕES: Bem, de fato o jailbreak permite incluir funções que eu adoraria ter no meu telefone. O SBSettings e o CallBar são pequenos detalhes que melhoram muito a usabilidade do aparelho, extraindo dele o seu melhor, e seriam extremamente bem-vindos se adotadas oficialmente pela Apple. Outras mudanças são perfumaria pura e simples, como animações diferentes, visuais diferentes, aspectos estéticos e completamente dispensáveis. Se for para pesar as vantagens e desvantagens, acredito pessoalmente que o processo não vale a pena: não houve um dia sequer em que eu não tivesse notado algum problema no telefone, e sendo bem sincero, devo ter feito mais reboots na última semana do que em um ano com meu antigo iPhone 4. A estabilidade do iOS original ainda é o maior trunfo da empresa, e eu, particularmente, não troco isso. Além do mais, a Apple vem adotando aos poucos esse tipo de solução ao seu sistema operacional - a exemplo do disparador da câmera no botão de volume, implementado no iOS 5.
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    Item Reviewed: Jailbreak: relato pessoal do procedimento Rating: 5 Reviewed By: Raphael Chaia
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