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    domingo, 15 de abril de 2012

    O processo de massificação do acesso às Redes Sociais

    Nesta última semana, um dos assuntos mais debatidos na mídia foi a compra por nosso amigo Mark Zuckerberg do Instagram, um dos mais populares aplicativos sociais de edição e compartilhamento de fotos. Antes exclusivo para o iOS, hoje o programa também encontra-se disponível para celulares com Android, e em breve deve chegar ao Windows Phone 7.5.

    O que chama a atenção são as cifras que giraram em torno do negócio: 1 bilhão de dólares, por uma empresa que há poucos dias estava avaliada em 500 milhões de dólares (a metade do valor pago no negócio). Há alguns meses, o valor estimado era de 300 milhões. Há um ano, quando começou a ganhar espaço no iOS, era avaliado em 100 milhões. O que houve para que o valor chegasse a essa marca?

    Com a palavra, o próprio Mark Zuckerberg, em postagem de seu blog:
    This is an important milestone for Facebook because it’s the first time we’ve ever acquired a product and company with so many users. We don’t plan on doing many more of these, if any at all. But providing the best photo sharing experience is one reason why so many people love Facebook and we knew it would be worth bringing these two companies together.

    Segundo o site Gigaom.com, essa afirmativa é importante, pois indica que o crescimento do Instagram poderia representar uma ameaça ao Facebook, e por uma razão muito simples: o Facebook gira basicamente em torno de compartilhar conteúdo, principalmente imagens, e de repente, você tem um sistema que faz isso de forma melhor que o Facebook, com mais recursos, e o mais importante: com apelo, e uma base de usuários crescente.



    Tanto os especialistas da Gigaom.com, quanto de outras publicações como a Forbes e MacWorld, apontam um fator decisivo na compra: a distribuição do aplicativo para a plataforma Android.

    Não é exagero acreditar nisso: após poucas semanas de seu lançamento para a plataforma do Google, o Instagram chegou próximo da marca de 40 milhões de usuários (foram 5 milhões de downloads em apenas 6 dias - no iOS, para se chegar a essa marca, foram precisos 6 meses) - algo respeitável para uma rede social exclusiva para smartphones. O motivo: funcionalidade. As consequências: medo.

    [...] if there was any competitor that could give Zuckerberg heartburn, it was Systrom’s posse. They are growing like mad on mobile, and Facebook’s mobile platform (including its app) is mediocre at best. Why? Facebook is not a mobile-first company and they don’t think from the mobile-first perspective. Facebook’s internal ideology is that of a desktop-centric Internet company. Instagram is the exact opposite. It has created a platform built on emotion. It created not a social network, but instead built a beautiful social platform of shared experiences.

    Traduzindo: o Instagram funciona em plataformas móveis; o aplicativo do Facebook não. Enquanto este foi concebido para desktops, aquele foi concebido para ser usado em aparelhos com câmera, extrapolando a fronteira de uma rede "social", para se tornar uma rede de "compartilhamento de sensações e experiências". Essa é a alma que o Instagram tem, e que falta ao Facebook - uma das razões inclusive apontadas pela Forbes para justificar a compra.

    O crescimento da empresa com a abertura para a plataforma Android é de fato espetacular: o Instagram já havia divulgado antes de abril e do lançamento para o Android que possuía uma base de 30 milhões de usuários. O número aumentou 30% em apenas uma semana. Nada mal para uma companhia que possui apenas 13 funcionários - o gigante Facebook, com seus 850 milhões de usuários, possui uma equipe de 3.000 funcionários. Faça as contas.

    Por que o Facebook comprou o Instagram então?

    Simples: para manter seu "monopólio" de compartilhamento de imagens. Uma rede social em franco crescimento como o Instagram poderia fazer frente ao gigante Facebook, pelo menos no que tange às plataformas móveis, o que poderia quebrar a hegemonia da companhia de Zuckerberg em um campo em que ele vem há anos reinando absoluto. Além do mais, a compra garante que outras empresas não tomem a frente - Google, por exemplo.

    O lançamento do aplicativo para Android ampliaria (e por que não dizer agravaria?) o risco de quebra de hegemonia. Basta checar alguns números: só nos EUA, a Verizon vendeu mais de 15 milhões de aparelhos Android, contra quase 11 milhões de iPhones em 2011. De dezembro de 2008 a novembro de 2011, o número de Androids ativados por dia chegaram à marca de 700 mil; já são mais de 25 milhões de aparelhos ativados, só no mesmo período. Estamos falando de aparelhos que, no Brasil, chegam a custar 400, 500 reais, contra os mais de 2000 reais que são cobrados em iPhones (sem subsídios).

    Bem, os verdadeiros motivos a gente nunca vai saber, mas os analistas são unânimes em apontar tais razões. Não tenho por que duvidar - senão, como se explica alguém pagar o dobro do valor avaliado de uma empresa?

    "Poxa, mas essa chatice toda realmente foi um dos assuntos mais comentados da semana"? 

    Mais ou menos... O que se comentou bem não foi a compra em si, mas o que aconteceria com o Instagram daqui pra frente.

    Explico: como apontamos ali em cima, alguns aparelhos com Android 2.2 (uma versão antiga do sistema operacional, diga-se de passagem, que hoje já está chegando na 4.0) são bem mais baratos que iPhones, que podem custar até 3 vezes o valor daqueles. O Instagram era uma rede social "fechada" enquanto era exclusiva no iOS. Só quem tinha iPhone entrava. Agora, os donos de Androids estão entrando também. E aí começou a discussão besta.

    A primeira coisa que li aos montes foi sobre a "orkutização" do Instagram - gíria usada para indicar algo que vai ser estragado no mundo digital (se duvida, dá uma passadinha no Orkut, dá). Diziam que as fotos ficariam ruins, que a qualidade cairia, que só ia dar foto de churrasco na laje e que não vai demorar pra começarem a pintar as correntes e mensagens religiosas...

    Vamos entender uma coisa, pessoal: quem "estraga" rede social é o usuário? Sim. Mas isso não tem nada a ver com o telefone que ele tem ou deixa de ter. Assim como há aparelhos Android baratos, também tem muito aparelho com o sistema do Google tão - senão mais - caros que os aparelhos da Apple (a exemplo do Galaxy S2, da Samsung). E assim como tem iPhone caro, tem muito aparelho fora de linha (modelos 3G e 3GS por exemplo) que pode ser comprado parceladamente em suaves pretações mensais. Esse tipo de preconceito é besteira.

    O problema maior é a falta de educação generalizada de alguns usuários de redes sociais. O termo "orkutização" nasceu por conta dos impactos que os brasileiros causaram à rede social Orkut - spams, crimes eletrônicos, entre outras condutas pouco louváveis -, o que foi aos poucos "matando" a rede social no mercado (hoje, ela só faz sucesso por aqui e na Índia). Esse problema, porém, não é exclusivo do Orkut, ou de redes sociais: é generalizado. O brasileiro já é, há algum tempo, o "câncer da internet".

    A frase não é minha, antes que pensem em começar a jogar pedras: é a imagem que muitos cultivaram lá fora, infelizmente. Frequentem fóruns de discussão do exterior, e notem os comentários. Somos discriminados, e muitas vezes, motivo de piada lá fora.

    Clique na imagem para ler uma tirinha publicada nos EUA sobre brasileiros em jogos online.
    O problema é um só: muita gente não sabe se comportar na internet, fica deslumbrado com a liberdade de poder navegar por trás de um pseudônimo, e abre mão de qualquer limite. Age, literalmente, pior do que agiria em casa. A ausência de uma regulação da internet no Brasil reforça a sensação de impunidade, e funciona como catalisador para comportamentos negativos.

    Jogos online, redes sociais, imageboards, em todos os lugares fomenta-se o preconceito contra brasileiros. Claro que há exceções, e há muita gente que nos respeita lá fora. É uma situação típica em que uma minoria é responsável pela má fama de todos. Graças a Deus sobra gente com bom senso para não perpetuar esse paradigma, que tem mudado muito nos últimos tempos.

    Não pretendo falar como alguém deve agir ou deixar de agir na internet - apesar de que existe uma netiqueta mínima que se deve observar -, só que uma dica muito simples, se seguida, melhoraria muito a qualidade do que vemos por aí. Quer liberdade para agir como quiser? Quer agir como age na sua casa? Abra um blog e divirta-se. É sua "casa" na internet, numa página pessoal  você pode fazer o que quiser, como quiser. Só vai ver o que você faz quem quiser te visitar. Numa rede social, não dá pra agir assim. A rede social é um espaço público na internet, é como uma praça, um clube. É preciso respeitar alguns limites. Você não age em um lugar público como age em casa - pelo menos não em tese. 

    O Instagram não corre o risco de "perder" qualidade em razão de telefones Android: ele corre o risco de perder a qualidade de acordo com o tipo de pessoa que vá fazer parte da rede social. E se alguém começar a postar fotos de churrasco na laje, e isso te incomoda, oras, é só não seguir o feed de fotos da pessoa! Muito barulho por nada, meus amigos, muito barulho por nada...

    Seja usuário de iOS, seja usuário de Android, o fato é que o Instagram vai crescer mais e mais nos meses vindouros, e vai permitir que mais e mais pessoas dividam pequenos pedaços do seu cotidiano todos os dias, seja um belo fim de tarde, seja o miojo que fez na janta. No final, não importa: são fragmentos do dia-a-dia que fazem parte da vida de alguém, e que fazem a pessoa mais feliz, ainda que por um momento. 
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    1 comentários:

    1. Tal qual educação ambiental que já está mais difundida nas escolas, começo a ver necessidade uma matéria chamada educação virtual, para passar regras de netiqueta.

      Outra coisa que sinto necessidade é de melhorar o senso reflexivo da população, tem coisas que se pensarmos bem, qual a necessidade de compartilhar?

      Lutamos tanto pela liberdade de expressão, façamos dela com mais carinho e critério...

      Parabéns pelo texto! ^^

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    Item Reviewed: O processo de massificação do acesso às Redes Sociais Rating: 5 Reviewed By: Raphael Chaia
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