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    segunda-feira, 6 de agosto de 2012

    O perigo do silêncio da Mídia

    Aqui no blog já escrevemos algumas vezes sobre a importância de uma imprensa livre, sem censura e sem amarras, bem como sobre a responsabilidade do "quarto poder" em erguer e derrubar líderes e noticiar os fatos do cotidiano para a população, atuando não como uma formadora de opiniões, mas como uma ferramente que auxilie na formação de opiniões. 

    Um problema, porém, tem se tornado endêmico, e tem concretizado o maior temor de Rui Barbosa nos últimos tempos; antes era algo mais velado, hoje, vejo de forma mais explicíta do que jamais fui capaz de imaginar.
    De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

    A imprensa está calada. Não sou ingênuo de crer que alguns órgãos nunca atuaram por interesses, mas a situação nunca esteve tão ruim. A letargia moral que atinge a população acaba sendo agravada pela apatia institucional dos grandes meios de comunicação.


    O Brasil está passando por uma das mais longas greves de professores do ensino público de sua história. Até maio desse ano, já eram 43 instituições de ensino aderindo à greve que começou no dia 17 de maio; hoje, são 57 das 59 universidades federais do Brasil. A greve passou a ter adesão de estudantes e funcionários, e muitos estudantes já perderam o semestre de aulas. O governo fez sua proposta e não aceita novas negociações, chegando a falar inclusive em desligamento / substituição dos grevistas.

    Esse mês, começou no STF o maior julgamento político da história do Brasil: depois de anos, finalmente estarão sentando nos bancos dos réus os 38 acusados de participarem do polêmico esquema de corrupção do último governo, denunciado pelo então deputado federal Roberto Jefferson. Entre votos e defesas, manobras para tentar desmembrar o processo e guia-lo a uma inevitável prescrição; teses de defesa absurdas, defendendo o indefensável, afirmando que o mensalão nunca existiu - como se os saques milionários do BMG fossem todos fictícios. Hoje, uma das primeiras cerejas do sundae: a confissão do ex-tesoureiro do partido do governo de que houve de fato caixa 2 na campanha do nosso ex-presidente. Crimes graves que recaem sobre todos os réus, como formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva... E o que tem sido passado para a população?

    Pouca gente sabe o que está havendo. A população por si só já não nutre grandes interesses por essas questões. Estamos preocupados com Carminhas, Ninas, Empreguetes e Danças dos Famosos; estamos mais preocupados em nos indignar com o desempenho pífio dos atletas brasileiros nas Olimpíadas (algo que ainda quero ter oportunidade de discutir num artigo a parte, por ser uma injustiça histórica em vários aspectos), do que em participar de momentos cruciais para a construção do que pode ser um novo Brasil, finalmente.

    A população parece ter deitado eternamente em berço esplêndido, e simplesmente fechado os olhos para as maiores discussões da educação pública do país, e para o maior julgamento de corrupção da nossa história. Estamos cegos, surdos, e convenientemente mudos.
    O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons (KING, Martin Luther)

    O que está havendo? Por que a imprensa está calada? Por que raios o Jornal Nacional do dia 06 de agosto dedicou somente 2 ou 3 minutos para o julgamento do mensalão, e 2 ou 3 blocos para as Olimpíadas? Por que raios revistas semanais estampam novelas em sua capa, dando ao mensalão uma notinha de rodapé, sem importância?

    Sobre a greve dos professores, a situação é ainda pior: informações podem ser encontradas na internet com relativa facilidade, mas na TV e em grandes portais o tema parece ser tratado como tabu, algo banido, silencioso e vil, não merecedor de nossa atenção.

    Pior ainda, onde está o poder público? Onde estão aqueles que podem nos representar e defender nossos direitos de um ensino de qualidade, de um julgamento limpo, com a ciência da população? Será que perdemos realmente nossa capacidade de indignação? Será que nosso espírito que lutou por liberdade após anos de ditadura está realmente morto nesses ditos "tempos de paz"? Será que o egoísmo matou nossa alma, nos tornando pessoas reclusas e enclausuradas em nossos próprios interesses?
    Em uma sociedade, a imprensa é o maior exemplo da liberdade de expressão, e essa pode adquirir variadas funções. Para uma maioria populacional, por exemplo, seu papel é o de informar escândalos políticos, para outros é o de garantir o funcionamento da democracia. No entanto, sua principal finalidade deve ser educativa, prezando pela qualidade e veracidade do fato divulgado. Deve ser adotada uma posição neutra, de modo a respeitar os dois lados de um problema, para possibilitar à população a formação de um ponto de vista baseado no real. Quando há manipulação das informações, através da omissão ou valorização de dados ou por causa do privilégio de um "lado da moeda" , a imprensa deixa de ser educadora e informativa, comprometendo a opinião da população, que será construída em [por meio de uma meia verdade.[...] A imprensa é parte essencial e inseparável da democracia, e dependente de nós, seres sociais e políticos, como diria Aristóteles. (Fonte: UOL)

    Por anos pedimos por providências contra a corrupção. Por anos pedimos por educação de qualidade. As duas oportunidades estão aí, nas nossas caras, e o silêncio da mídia impõe sobre essa esperança uma sombra desoladora, que pode nos jogar novamente na desesperança de que as coisas mudem de verdade. Será que queremos realmente ser eternamente o "país do futuro"?

    Sei que é um texto com mais perguntas que respostas, mas é essa a reflexão que devemos nos fazer. O perigo que o silêncio da mídia representa nesses momentos históricos pode atrasar em alguns bons anos a evolução que nossa sociedade sempre ansiou com tanto afinco. Está na hora de procurarmos nossas respostas, buscarmos conhecimento, entendermos o que está acontecendo à nossa volta, para, quem sabe, quebrarmos definitivamente os grilhões da alienação que ainda prendem a todos nós.
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    Item Reviewed: O perigo do silêncio da Mídia Rating: 5 Reviewed By: Raphael Chaia
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