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    domingo, 4 de novembro de 2012

    ENEM e o mau uso das Redes Sociais

    Foi realizado nesse final de semana o Exame Nacional do Ensino Médio, o famoso ENEM. Nunca a prova recebera tanta atenção da mídia, não por conta de erros, falhas e vazamentos de gabaritos que estamos habituados a ver em edições anteriores, mas por algo no mínimo peculiar: a quantidade de casos envolvendo redes sociais com implicações diretas sobre candidatos.

    O primeiro movimento curioso foi um boato que começou a correr na manhã do dia 03 de novembro, alardeando sobre o cancelamento do ENEM. A situação ganhou tanto volume que foi preciso a assessoria de comunicação do Ministério da Educação intervir, avisando que a postagem era falsa, acionando inclusive a Polícia Federal para identificar - e tomar as medidas judiciais cabíveis - contra o autor da mensagem.

    Muita gente não pensa que vá acontecer alguma coisa quando realiza um ato impensado como esse. Pensa que será um trote, uma brincadeira, "uma trollada", como a atual geração gosta de dizer... Só que atentar contra certame de interesse público implica em responsabilização civil e penal, com sanções de 1 a 4 anos. A Polícia Federal já abriu inquérito, como apontamos acima. Agora é esperar os detalhes nos próximos dias...

    Clique para ampliar. Fonte: G1 Educação
    Fora isso, registraram-se, como sempre, os casos de atrasados chegando tarde e dando de cara com o portão fechado. Entra ano, sai ano, sempre vemos na imprensa as vítimas dos imprevistos e dos acasos. O que chamou a atenção mesmo, porém, foi o número absurdo de casos de alunos postando fotos da prova em redes sociais, como o Instagram, durante a sua realização. 
     
    Até o momento, já foram 37 candidatos eliminados, segundo reportagem do site G1. (ATUALIZAÇÃO EM 11/11: o MEC eliminou um total de 66 alunos por terem postado fotos do caderno de questões ou do gabarito). Não precisa nem comentar o quão boba é essa conduta né? O edital diz expressamente que não se pode usar equipamentos de comunicação durante a aplicação da prova; isso é avisado várias vezes pelos fiscais antes de distribuírem o caderno de questões; os candidatos recebem na entrada do local das provas uma sacola onde são avisados que deverão colocar seus pertences pessoais proibidos durante a avaliação (óculos escuros, relogios digitais, celulares e afins). Se com todos esses avisos o sujeito ainda cai numa dessas, me perdoe, mas é flertar com a violação das normas, e assumir o risco de ser eliminado. 

    Que esses alunos erraram, ninguém discute, mas uma polêmica tomou de assalto o fim de noite desse domingo, dia 04 de novembro: a página "Portal Juristas", do Facebook, postou dois tweets da Revista VEJA; no primeiro, pediam que os seguidores postassem "fotos do ENEM"; no segundo, reportavam os então 37 eliminados por postarem fotos da prova em redes sociais.
     
    A página não fazia qualquer acusação, pedindo apenas a opinião dos usuários sobre essas mensagens. Não demorou para que um debate se formasse, com gente inclusive acusando a revista de "prestar um desserviço aos alunos". Outros afirmaram que a revista "induziu alunos a erro, podendo ser responsabilizada civilmente".

    Não entendemos dessa forma.

    Fotos do ENEM, há aos montes na imprensa e na internet: fotos do portão, dos alunos chegando, dos alunos saindo, dos alunos atrasados presos pra fora, e até a famosa foto do sujeito que bancou o Indiana Jones e passou por baixo do portão quase fechado, em Cuiabá (MT). Em nenhum momento a revista disse "tirem fotos das provas"; os candidatos têm ciência do edital, e são instruídos pelos fiscais dos locais em que podem ou não usar seus celulares. A revista não era obrigada a informar isso a quem leu o tweet: isso já era de conhecimento dos candidatos, oras. Consta ali: "compartilhem fotos do ENEM". Presume-se que o sujeito que vai fazer o ENEM sabe onde e quando ele pode fazer isso. As desclassificações foram mais que justas, infelizmente.

    Minha opinião é que muito da dita "polêmica" se construiu em torno de uma tweetada mal interpretada, e nada mais. Se alguém entendeu (de forma absurda, que fique claro) que a revista pediu fotos da prova, ou de locais em que o uso de aparelhos eletrônicos era proibido, me desculpe, mas a culpa é única e exclusiva de quem violou os termos do edital, oras. Não sou leitor da VEJA, e nem sou advogado deles para ficar defendendo o que a assessoria de comunicação faz ou deixa de fazer no Twitter, mas resta mais do que claro que não há qualquer margem para responsabilidade civil contra o veículo de comunicação por conta dessa mensagem. 

    O que o pessoal precisa entender é que o uso das redes sociais parece estar tomando de assalto a vida da atual geração: tudo precisa ser postado no Facebook, ou no Twitter, ou onde quer que você vá, você precisa de um check-in no Foursquare, ou o que quer que você faça, precisa ser registrado no Instagram. As pessoas não diferenciam mais a vida que levam "dentro" e "fora" das redes sociais, e não têm limites para as coisas que registram, compartilham, curtem. É como se o grande medo do pai da Teoria da Relatividade finalmente tivesse se tornado real: "Eu temo o dia em que a tecnologia superará a interação humana. O mundo formará uma geração de ignorantes" (EINSTEIN, Albert).
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    1 comentários:

    Item Reviewed: ENEM e o mau uso das Redes Sociais Rating: 5 Reviewed By: Raphael Chaia
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