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    segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

    "Deep Web" e a impunidade aos crimes cometidos online

    Que crimes eletrônicos existem há anos, e que os poderes públicos têm tido grande trabalho para resolver esse problema, todo mundo sabe. Que as primeiras iniciativas já começaram a surgir, também não é novidade. O problema é descobrir que estamos arranhando apenas a superfície de tudo o que ocorre na grande rede de computadores. 

    Abaixo da "superfície", em águas profundas, acontecem os grandes feitos criminosos que assombram polícias, órgãos de inteligência e governos inteiros. Tudo que surge no WikiLeaks aparece primeiro lá. Dissidentes chineses e iranianos a usam para driblar a censura on-line em seus países. É possível encontrar ainda assassinos de aluguel e pedófilos.

    A "deep web" é o pedaço da rede a que buscadores comuns não chegam - o bairro afastado, onde você não ousa entrar em nenhuma hora do dia. A internet profunda abriga diversos tipos de sites: os que exigem senha, os que não têm links direcionando a eles, os que variam de acordo com o usuário que está acessando etc. Também entram nessa categoria os sites hospedados no Tor (The Onion Router), rede que procura garantir o anonimato tanto de sites quanto de usuários. É aqui que, por exemplo, fica boa parte da pornografia infantil disponível na internet.

    Criado em 2002 pelo Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA, que procurava um método seguro de transmitir informações, o projeto é independente do governo há dez anos e, desde 2006, passou a ter uma organização própria que o financia. Ao embaralhar diversas vezes as informações, dificultando muito o rastreamento, o sistema tornou-se sinônimo de acesso à web profunda. Ele pega um dado a ser transmitido e, ao enviá-lo, o codifica e recodifica em várias camadas - daí o "onion" ("cebola", em inglês). Esses pedaços de informação passam por diversos computadores até o ponto final. Um site hospedado na rede, por sua vez, faz o mesmo. A "deep web" é a porta de entrada para os diferentes níveis da Internet (não se sabe quantos e quais são ao certo, e a rede está tomada de especulações a esse respeito), e todos muito além do alcance das polícias e órgãos governamentais, destarte seus esforços em monitorar a movimentação que ocorre em suas profundezas.
     
    Diferentemente do que acontece na internet comum, em que as informações são trocadas diretamente entre IPs (os "endereços virtuais" dos usuários), o sistema da web profunda combina um ponto de encontro na rede para que todas as informações sejam trocadas. Os endereços hospedados na rede Tor terminam sempre com.onion, como o site Silk Road, e são acessados apenas pelo browser Tor.

    Verdade ou Lenda Urbana? Fonte: 4chan
    No Silk Road, todo tipo comércio é possível - sem exceção. Esse grande mercado na internet vende vários tipos de droga (de haxixe do Marrocos a cocaína da Holanda e cogumelos dos EUA), remédios controlados, equipamentos para hacking e espionagem, joias falsas, pacotes de conteúdo pornográfico,  armas, e muito mais. Seu nome faz referência ao clássico "caminho da seda" chinês, um entreposto de vários tipos de comércio. Ao todo, o Silk Road movimenta cerca de R$ 2,4 milhões por mês, segundo Nicolas Christin, da Universidade Carnegie Mellon (EUA), autor do primeiro estudo sobre o site. Criado há dois anos, o serviço é investigado pela polícia dos EUA, mas continua no ar porque está escondido na "deep web", a internet profunda, espaço da rede só acessível usando o Tor.

    Ao contrário da crença geral, boa parte da "deep web" é composta de material legal, como livros de distribuição gratuita - porém, censurados por governos totalitários -, ou ativismo social. Porém, seu poder de anonimato acaba o tornando um ambiente extremamente propício para condutas delituosas, como a pedofilia, tráfico de pessoas, vendas de armas e drogas, e afins. 

    A internet profunda está muito além do alcance das autoridades - não que a polícia não consiga acessá-la, ela consegue; a dificuldade na navegação acaba sendo de cara a grande dificuldades em encontrar os pontos de violação, vez que a deep web possui URLs enigmáticas, com diversas letras e números sem sentido aparente (o endereço do Tormail, principal serviço de e-mail baseado na rede Tor, serve como bom exemplo: jhiwjjlqpyawmpjx.onion). Toda navegação é monitorada, o que reforça a necessidade de conexões anônimas. 

    Não se recomenda que um usuário comum tente acessá-la: as chances de ter seu computador infectado por toda sorte de vírus é exponencialmente maior que na superfície. Indiscutivelmente é uma realidade assustadora, quando refletimos que, principalmente aqui, no Brasil, ainda estamos extremamente atrasados no combate de condutas simples da internet "de superfície". Sabe-se lá Deus o que acontece nas profundezas da rede, debaixo de nossas barbas, sem que a gente saiba...

    Com informações da Folha de São Paulo.
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    3 comentários:

    1. Gente que loucura!! E pensar que a única arma de que dispomos juridicamente para chegar até os agentes de crimes cibernéticos, qual seja, a quebra do sigilo telemático não é possível por lá!! Assustador!!!

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    2. Cara li uns artigos sobre oque acontece nessa deep web e me senti muito mal em saber o que o ser Humano é capaz de fazer e divulgar nessas redes no anonimato da deep web pedofilia,bonecas humanas, assassinatos drogas armas trafico Humano compra de Orgãos.Cara que bosta.

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      1. Essas coisas estão a partir da quinta camada, que já ganharam até nome: Mariana's Web, em referencia às Fossas Marianas, o lugar mais profundo do oceano conhecido pelo homem. A deep web como conhecemos esta mudando, e esta se tornando ambiente de peixe pequeno, acredite ou não...

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    Item Reviewed: "Deep Web" e a impunidade aos crimes cometidos online Rating: 5 Reviewed By: Raphael Chaia
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