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    segunda-feira, 19 de setembro de 2016

    Território, comunidade e formação de identidade

    Quando discutimos território e comunidade, é importante relacionar esses dois elementos para que se possa compreender a identidade das pessoas que habitam aquele espaço. Não obstante haver diferentes entendimentos acerca do conceito de território, a sua ideia geral diz respeito a um espaço geográfico físico ou virtual (redes sociais e grupos de mensagens, por exemplo), do qual uma ou mais pessoas se apropria. 

    Já sob a ótica da geopolítica, o conceito de território implica necessariamente que existem, naquele espaço, relações de poder, ou seja, uma determinada área torna-se território de alguém ou alguns a partir de um interesse e de uma força política por eles exercida. Ao assumir a área e chamá-la de território, aquela pessoa ou grupo exerce poder sobre aquele espaço. De qualquer forma, o elemento mais importante que precisa ser observado nessa discussão é a relação da comunidade com o território, e como os conceitos de território e espaço se relacionam. 

    Milton Santos, em sua obra, não trata explicitamente do conceito de “território”: a expressão geralmente representa uma abstração da observação de fatos particulares que fazem parte da formação do espaço, e não do território. Segundo o autor, “o território, como recorte espacial, está contido no espaço e o espaço no território, num movimento dialético” (SANTOS, 1978). O território, portanto, não deve ser interpretado como uma forma definitiva e organizada do espaço; porém, verificam-se caracteres que nos levam a crer que o território corresponde ao local onde se realizam as atividades criadas a partir da herança cultural do povo que o ocupa; é também uma fração do espaço local articulada ao total. 

    Essa herança cultural, manifestada pela comunidade, é a responsável pela delimitação do território dentro do espaço, reforçando assim uma de suas mais fortes características: a de que o território, uma vez ocupado, passa a representar um forte elemento de identidade social, uma vez que a relação das pessoas com o espaço fomenta entre esses dois pontos uma relação de pertença que tende a se reforçar de uma geração para a próxima. 


    Como podemos ver, o território está diretamente relacionado à construção dos caracteres de identidade de um povo ou de um indivíduo. Importante, porém, destacar outros elementos que possam estabelecer relações para a formação de tais características. O resgate da memória, por exemplo, é de suma importância para o debate ora aqui colocado. Aqui, faz-se necessário que o sujeito (ou o grupo de pessoas) não deixe de buscar lembranças, raízes, origens, e afins.

    A memória não pode ser entendida, porém, como um simples ato de buscar informações do passado, tendo em vista a própria reconstituição deste passado. Ela deve ser entendida como um processo dinâmico da própria rememoração, o que estará ligado à questão de identidade (SANTOS, 2004, 59). Pode-se dizer por conseguinte que a memória tem um caráter fundamental para elevação de uma nação, ou mesmo um grupo étnico, por exemplo, pois aporta elementos para sua transformação.

    Stuart Hall assevera que “as identidades nacionais não são coisas com as quais nós nascemos, mas são formadas, transformadas no interior da representação” (HALL, 1999, 48). Partindo do pressuposto que a memória é “a faculdade de reter ideias ou reutilizar sensações, impressões ou quaisquer informações adquiridas anteriormente” segundo o conceito vocabular presente em nossos dicionários, pode-se afirmar que a memória como formadora de identidade assim age pois não somente rememora o passado, mas determina as ações e comportamentos do presente com base nessas lembranças, construindo, dessa forma, o caráter do sujeito.

    Conclui-se, portanto, que a construção da identidade de uma pessoa será determinada pela sua relação com o espaço e com a memória, mas esta, não somente no sentido das lembranças que traz, mas no sentido de realmente determinar seus comportamentos com base em experiências vividas, tradições e valores atávicos que carregue consigo ou de outras gerações que antes dele tenham vindo. 
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    Item Reviewed: Território, comunidade e formação de identidade Rating: 5 Reviewed By: Raphael Chaia
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